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terça-feira, 27 de maio de 2008

Reforma ou Revolução?

I

O preço do barril de petróleo aumentou 150% nos últimos 4 anos, mas as gasolineiras não se têm dado mal: os seus lucros não param de aumentar!!! Porquê? porque o preço da gasolina ao consumidor não tem parado também de subir. Há quem esteja a ganhar fortunas, mas seguramente não a classe trabalhadora (quer ande de transportes públicos ou tenha automóvel, quer acenda a luz, ou compre o arroz mais caro... etc., etc., etc.)...

Há uns anos atrás o sector energético do país estava nacionalizado, de igual modo, os preços também se encontravam tabelados. Mas isso foi há uns anos atrás! Depois vieram os defensores do "mercado" e o "mercado" funcionou. Diziam que a liberalização dos combustíveis seria benéfica para o consumidor... Vê-se! Tão benéfica como um cancro.

Que fazer diante deste cenário? Há quem defenda o "controlo" do mercado, a intervenção do Estado, a redução de impostos sobre o combustível e quem também continue a defender (Sócrates) que o melhor é deixar tudo seguir como está: o mercado há-de funcionar e "auto-regular-se!

Muito acertadamente, na sua última Convenção, o Bloco de Esquerda aprovou no seu documento prgramático a nacionalização dos sectores dos transportes e energia. Infelizmente, os bloquistas não acharam suficientemente importante estender a propriedade pública e colectiva à banca, seguradoras, indústrias pesadas, agro-alimentares, serviços, construção, et., etc. sob controlo dos trabalhadores de modo a poder-se planificar-se democraticamente a economia por oposição à "anarquia", irracionalidade e injustiça do "mercado".

Ainda assim, a reivindicação da propriedade pública para o sector da energia e transportes era importante. E acertada!

Sendo assim, lamenta-se que a par da justa denúncia do aumento do preço dos combustíveis a par da acumulação orgiástica de lucros das grandes empresas do sector, não aproveite este momento para erguer a bandeira da apropriação pública e colectiva dum sector económico vital para a economia do país e para a vida dos trabalhadores.

Não era agora um momento ideal para explicar, divulgar e agitar as vantagens da propriedade pública, socialistas sobre a propriedade privada, sobre a propriedade privada dos grandes meios de produção e sobre o "mercado" capitalista?

Não era agora um momento ideal para, a par de reformas, também defender a revolução no sector energético do país? Não era agora, num momento em que o preço da gasolina bate recordes, o tempo ideal para explicar aos consumidores, às vítimas das grandes petrolíferas e gasolineiras, que muito teriam a ganhar com o fim da exploração privada dos combustíveis e energia? Se não agora, quando? Para o dia de são nunca?

Se as ideias do socialismo não forem defendidas publicamente como é que os trabalhadores serão ganhos para elas? Por geração espontânea? Com um pouco de sorte?

Abrimos sua página na net e deparamos com notícias em catadupa sobre "movimentos de boicote" às gasolineiras. Como se pudéssemos deixar de viajar de carro ou deixar de apanhar transportes públicos, como se as fábricas pudessem deixar de manufacturar, ou como se pudéssemos deixar de usar iluminação à noite ou deixar de usar computador (sim, sim, boa parte da nossa energia eléctrica é produzida em estações movidas pelo petróleo...)!!!

Ou como se não fossem cócegas feitas às gasolineiras, reabastecer o depósito do automóvel na quinta ao invés de o fazer na segunda-feira... Em função da crise e em função do que está, na prática e no terreno, a defender o Bloco de Esquerda para a combater, cabe perguntar para que é que serve a aprovação dos seus (tímidos) textos programáticos em Convenção...

Nota: Pode ser por minha incúria, mas tampouco escutei ao secretário-geral do PCP uma única palavra sobre as vantagens da nacionalização da indústria energática em Portugal... Ao que parece, também o PCP está também a apresentar propostas e medidas avulsas, reformas e correcções ao "mercado", mas não a sua superação.

Ora uma política marxista é uma política que combina as reformas com a revolução, as medidas imediatas, com as transformações de fundo e que utiliza o seu "programa político" como elemento e fonte de agitação e elevação da consciência dos trabalhadores.

II

Numa tirada de antologia (já não sobre a gasolina, mas no mesmo estilo), o "irrequieto" João Teixeira Lopes, dirigente e deputado bloquista, vem defender, a propósito da fome e pobreza que alastra pelo país que:

"É urgente que o Governo leve a cabo, em parceria com as instituições que estão no terreno, uma campanha nacional de distribuição regular de alimentos. É, por assim dizer, o mínimo dos mínimos!"

Realmente, é mesmo o mínimo dos mínimos!!! Ao invés de defender que com o pleno emprego, a estabilidade laboral, os aumentos de salários e pensões, os trabalhadores e as camadas mais empobrecidas da população não passariam necessidades extremas, vem este "socialista moderno" defender a caridadezinha cristã da distribuição de sacos de arroz e sopa quente aos pobrezinhos...

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