
Por vezes recordo os dez anos quando a liberdade bateu á porta da escola primária pela a mão da minha mãe.
Ela entrou e falou com a professora e deve ter dito algo que não percebi até hoje. De seguida estava a ir a caminho de casa e no caminho fui -me apercebendo de algo de grave se passava.
Já em casa, o meu pai gritava e dizia... Os militares tomaram o poder, viva a liberdade, somos livres...
Ainda hoje recordo aquela alegria do meu, nosso pai, nos abraços e desejos quele dava á quem passava na rua e aquela musica cada vez mais alta na sua sonoridade montada num renault, que cantava "paz, pão, liberdade...", E o meu dizia, anda depressa que vai passar a liberdade.
Recordo uma grande festa de miúdos e graúdos todos felizes e de cravo ao peito num grande recinto recheado de quadros e papel em que os putos pintavam, escreviam poemas sobre a liberdade e o MFA fui nessa festa que recebi uma medalha por ter desenhado um helicoptero a deitar cravos sobre uma multidão de pessoas. Muito feliz andava eu por tal façanha.
Aí que saudades daqueles bons momentos, mas o melhor estava para vir, e esse momento é o que me premite escrever estas palavras.
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
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