LOUÇÃ O LIQUIDACIONISTA
Quando há meses atrás, Francisco Louçã se opôs aos militantes do Bloco que exigiam do partido uma aproximação com o PCP, de modo a constituir um pólo de luta e combate ao (des)governo que temos no país, fê-lo com o argumento de que isso iria conduzir à satelização do Bloco em relação ao PCP.
Bastaram, todavia, apenas 2 meses para compreendermos que a verdadeira razão que levava Francisco Louçã a recusar uma política de unidade com o PCP para combater o governo Sócrates era, na realidade, o seu desejo de se satelitizar em relação ao PS, estabelecendo com este partido, na primeira oportunidade, uma coligação cujo programa e a decorrente prática tem sido sacrificar Lisboa, os seus trabalhadores e o povo da cidade no altar do "saneamento financeiro" da autarquia.
Tanto "pragmatismo" merecia uma justificação teórica qualquer. Ela veio soba forma de artigo intitulado "Sectarismo: um fantasma que persegue a esquerda" e publicado in
Escrevendo Louçã:
"A esquerda tem sido derrotada. Desiluda-se quem, constatando esta derrota, procura para ela um alibi restringindo esse recuo à Europa e pretendendo que, na América Latina ou na Ásia, se erguem novos combates iluminadores. A situação nesses continentes é provavlemente pior do que na Europa, dada a violência da ofensiva e a fragilidade das condições de resistência."
Ou seja e trocado por miudos e sem os "fumos académicos" do Doutor Louçã:
Temos sido tão derrotados em toda a parte e durante tanto tempo, que outra coisa não nos resta senão adapatarmo-nos às condições existentes e aplicarmos uma política mais realista, pragmática e abrangente (como o caso de Lisboa).
Isto porque [na perspectiva de Louçã] a situação ser realmente muito má e a correlação de forças não nos permitir defender o programa que gostaríamos e, somos por isso forçados - pelas circunstâncias - a ter de apresentar as propostas que os tempos difíceis e as derrotas do passado nos impõem.
A Louçã não lhe basta tentar convencer os seus acólitos de que não existem condições AQUI E AGORA EM PORTUGAL, NO MOMENTO PRESENTE, para defender uma política revolucionária, consequente e decisivamente socialista. Não! Às tantas ainda se punha a malta a pensar que até poderia haver um dedinho dos dirigentes políticos que a esquerda portugesa tem na tão chorada "falta de condições para criar condições" - como costumava ironizar um amigo meu.
Louça precisa - ele sim! - dum alibi e, do alto do seu magnífico e sapientíssimo púlpito, explica-nos que no resto do planeta também não se passa nada e ainda por lá estão pior do que nós em Portugal (provavelmente por não terem nos 4 cantos do mundo um Bloco de Esquerda, um Louçã mais outro Zé para os espaços verdes, jardins e cemitérios).
Duma penada e para justificar a sua política, o Dr. Louçã equivale a nada, a rotundo zero, toda a luta anti-imperialista no Médio Oriente e toda a onda revolucionária que num país, após outro, varre a América Latina do Rio Grande ao Cabo Horn.
Revolução Venezuelana? o Dr. Louçã não ve nada! Nacionalizações na Bolívia? Nem por um canudo! Processo Constituinte no Equador? Mas que é isso comparado com as iniciativas parlamentares do BE? Oxaca? Mobilizações de milhões no México contra a fraude eleitoral? Movimento sem Terra? Vitória Sandinista na Nicarágua? Não se passa nada! Louçã o liquidacionista, ao invés de liquidar o capitalismo, liquida tudo o que mexe de mais avançado, progressista e revolucionário no mundo, para poder justificar a sua política de unidade - ou será de "colaboração"...?
Infelizmente, num momento em que o capitalismo mete água por todos os lados, quando é incapaz de proporcionar à humanidade outra coisa senão exploração, opressão e guerra, estes líderes de esquerda que se julgam tão "pragmáticos" e "realistas" são, na verdade, os maiores utópicos, correndo a abraçar políticas que, com mais reforma, menos boa vontade (e vivemos numa época de reformistas sem lastro para aplicar reformas), apenas ajudam a perpetuar um sistema caduco, apodrecido e cuja manutenção apenas pode arrastar a humanidade para a barbárie.


1 comentário:
Rui assino o seu artigo, e penso que,na hora da verdade ,é que se vê quem são os verdadeiros REVOLUCIONÀRIOS.
josé manangão
poesianopopular.blog.sapo.pt
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