Notas sobre a expulsão da Luísa Mesquita
A deputada Luísa Mesquita foi expulsa de militante do PCP - segundo noticia hoje a imprensa. Assim termina o braço-de-ferro que a deputada manteve com o seu partido.
É preciso frisar que a deputada JAMAIS teve razão no conflito que alimentou com a direcção do Partido. Ela foi eleita por ser candidta pelas listas da CDU, não por ser a Luísa Mesquita. Com isto não se trata de desvalorizar o contributo ou as qualidades pessoais que um candidato possa trazer para uma eleição, mas simplesmente constatar que os eleitores votam num determinado partido, num determinado projecto político e não numa determinada personalidade. Com a crescente importância do poder executivo em detrimento do poder legislativo, com o crescente protagonismo e "fulanização" das eleições isso poderá não ser exactamente bem assim no que ao cabeça de lista por Lisboa (isto é, ao candidato a "primeiro-ministro) diga respeito... Mas seguramente o é em relação à cabeça de lista por Santarém ou ao nº 3 por Lisboa, ou 4º pelo Porto...
Mais! A Luísa Mesquita - com todos os seus anos de militante do partido - estava bem a par do entendimento que no PCP se tem sobre a representação política e de como os respectivos cargos devem estar à disposição do partido. Ainda que não tivesse assinado o compromisso que efectivamente assinou...
De resto, a substituição da Luísa Mesquita vinha na linha definida pelo partido de rejuvenescimento da bancada. Não concordará com isso a Luísa Mesquita? Pelos vistos, não! Pelos vistos, conceitos como "rotatividade" não entrma no seu léxico.
Todavia, é preciso também frisar, que a expulsão da Luísa Mesquita é um erro que a direcção do PCP comete. Por um lado não recupera o lugar de deputado "em disputa", mas fundamentalmente, ao resolver por via administrativa um problema político, vem dar armas aos seus opositores que não perdem oportunidade de pôr em causa a sua democraticidade: "quando há diferenças de opinião, o partido expulsa".
É verdade que a Luísa Mesquita tinha cometido atropelos graves aos estatutos do PCP que sempre aceitara nestes seus muitos anos de militância, mas ao expulsá-la, a direcção comunista não apenas "dá armas" ao inimigo como faz, potencialmente, da Luísa Mesquita uma "vítima martirizada" pela intransigência "estalinista" - todos nós podemos começar a advinhar todo o género de argumentos que por aí virão....
Teria sido bem mais simples - e até democrático - deixar expirar o mandato. Se a direcção do PCP está certa da sua razão e tem confiança nos seus militantes, quando, daqui a 2 anos, tivesse de elaborar as listas para deputados, reunia os militantes da Organização Regional de Santarém e punha tudo a votos - tenho a certeza que a Luísa Mesquita perderia por muitos. Aliás, se não quisesse esperar dois anos, agendava tal reunião magna para o imediato!
Isso sim, seria um modo político de resolver um problema político.
A título de exemplo, recuperemos um naco da história do partido bolchevique: na véspera da revolução de Outubro, Zinoviev e Kamenev, perdendo a votação no Comité Central, denunciaram publicamente as intenções de levantamento armado do Partido Bolchevique... Conseguem imaginar desrespeito mais grave à disciplina do partido do que este que fazia perigar a própria insurreição operária?Pois bem, não apenas Lénine e os bolcheviques não expulsaram do partido Zinoviev e Kamenev, como, inclusivé, mais tarde, depois de Outubro, os dois vieram a desempenhar importantes cargos de responsabilidade no partido, no Estado soviético e na Internacional Comunista, recuperando-se, assim, dois valiosos militantes...
Certo! Luísa Mesquita não será (não é mesmo!) uma "bolchevique", mas isto não anula o facto de que problemas políticos não se resolvem administrativamente, por aplicação de métodos disciplinares, mas de modo político.
Por fim, consultei a minha "bola de cristal", verifiquei o alinhamento das estrelas e prevejo que a Luísa Mesquita ainda será candidata pelo Bloco de Esquerda numa eleição qualquer...


2 comentários:
Julgo que este caso, mais do que questões politicas, é o interesse pessoal a sobrepor-se ao interesse colectivo e quanto a isso, penso que não deve haver contemplações.
Cocordo com a decisão de resolver o problema o mais depressa possivel. Pode haver situações e que dada a cojuntura politica se deve adiar situações destas, não é este o caso.
Acho que condescender com situações destas, leva a graves prejuizos para a organização, nomeadamente em relação à disciplina que tão necessária é numa estrutura revolucionária.
A razão pela qual não se esperou dois anos até às eleições para decidir então da saída da LM, ou melhor porque se pretendeu fazer desde já uma subsituição, prende-se precisamente com as eleições e com o desejo de renovação e rejuvenescimento do grupo parlamentar, objectivo esse que LM tinha conhecimento. Foi esse razão que levou à substituição (pacífica) do Abílio Fernandes pelo João Oliveira e da Odete Santos pelo Bruno Dias. Estes camaradas poderão agora desenvolver trabalho, serem mais em conhecidos pelos seus círculos eleitorais, e estarem mais bem posicionados para ganhar o respeito e prestígio necessário para contribuir para um bom resultado eleitoral em 2009. Não seria apresentando caras novas e desconhecidas nessa altura que se conseguiria eleger um grupo parlamentar tão novo: quatro deputados com menos de 30 anos.
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