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segunda-feira, 24 de março de 2008

TIBETE: por uma alternativa marxista

Face dos motins e violência despoletados no Tibete, o governo atribuiu a responsabilidade do sucedido ao Dalai Lama e aos exilados que visam agitar a questão da independância tibetana, aproveitando a realização dos Jogos olímpicos em Pequim.

Sem dúvida que o Dalai Lama e os seus seguidores têm interesse em aproveitar os JO para mediatizar a questão nacional e pressionar Pequim internacionalmente, mas isso não explica quase nada sobre o que está sucedendo, nestes dias, no Tibete.

Com efeito, a restauração capitalista na China, às mãos dos dirigentes do partido "comunista", tem provocado um enorme acumular de tensões, conflitos e contradições em todas as províncias do país. No tibete, a introdução do capitalismo mais selvagem anda de mão dada com a opressão nacional do povo tibetano: há décadas que o governo central da China reprime e censura as tradições culturais e religiosas do povo tibetano.

A somar a tudo isto, verifica-se que, na sua própria terra, os tibetanos são discriminados e preteridos por chineses vindos de qualquer ponto do país, atraídos por empregos e salários (acima da média nacional) que são de todo inalcansáveis pelos tibetanos. Ora, os trabalhadores tibetanos com, por norma, menos habilitações que os emigrantes chineses, olham-nos como uma camada deliberadamente privilegiada da população...

Na realidade, a camada privilegiada da população chinesa são os novos capitalistas e os velhos burocratas do P"C" Chinês... De acordo com a All China Federation of Trade Unions (ACFTU) 26% dos trabalhadores chineses não receberam qualquer aumento salarial nos últimos 5 anos, apesar do enorme crescimento do PIB - cerca de 10% ao ano. Ilustrativo, é o facto de que a participação do trabalho no conjunto do rendimento nacional, baixou de 53,4% em 1990 para 41,4% em 2005.

É, portanto, a crescente disparidade de rendimentos e oportunidades que alimenta o descontentamento: aqui num levantamento étnico, acolá num conflito laboral... É quase cómico que o slogan "contruir uma sociedade harmoniosa" se tenha tornado no mantra oficial do P "C" Chinês...

Por uma alternativa marxista

Não pode haver dúvidas sobre o direito que todas as nações (incluindo naturalmente a tibetana) têm à autodeterminação. Todavia, é preciso não esquecer que, um Tibete independente, tal como no passado, seria um país atrasado, governado por uma clique religiosa e sob domínio imperialista.

Se dúvidas existissem, veja-se o caso da independência de Timor! Sob dominação capitalista, Timor-Leste é, praticamente, um protectorado australiano, minado pela violência sectária e pela pobreza mais atroz. É isso que queremos agora para o Tibete e para o seu povo?

Aceitando o princípio da autodeterminação para todos os povos, os marxistas, todavia, devem apresentar uma alternativa de classe ao povo do Tibete: uma luta comum entre os trabalhadores e camponeses chineses e o povo tibetano contra a burocracia e a restauração capitalista, pode lançar as bases para uma voluntária união de todos os povos da China, contruindo, em comum e em mútuo respeito e fraternidade, uma sociedade genuinamente socialista, na qual os recursos materiais e meios de produção sejam democraticamente geridos pelos trabalhadores e camponeses das várias nacionalidades do país.

Não será fácil, muitos terão dificuldade em compreender este ponto de vista, seremos acusados de... "utopia"... Mas é a única alternativa revolucionária (e já agora digna das suas tradições internacionalistas), pela qual os marxistas devem lutar.


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3 comentários:

AGRY disse...

PROMOÇÃO DO FEUDALISMO TIBETANO
A promoção do feudalismo tibetano continua a desenrolar-se, sob o alto patrocínio da CIA. Os actuais protestos no Tibete, em ligação com os Jogos Olímpicos na China, haviam sido planeados e discutidos em Julho de 2007 em Nova Delhi sob a égide do embaixador estado-unidense, do sr. Jamyang Norbu que se apresenta como escritor exilado e desse bandalho do Dalai Lama que se apresenta como "líder espiritual" do Tibete. O objectivo era fazer mais uma das revoluções coloridas , ao estilo da CIA. A seguir àquela reunião a sra. Paula Dobriansky , sub-secretária de Estado dos EUA, neocon membro do PNAC, efectuou uma visita ao sr. D. Lama para coordenação. A dita sra. Dobriansky já estivera envolvida nas tais 'revoluções coloridas' na Europa do Leste. Promover revoltas com a cobertura do governo americano é uma actividade muito rentável para alguns.
A estratégia delineada em N. Delhi previa uma marcha de exilados e protestos dentro do Tibete, sempre com financiamento ciático. Está tudo a ser seguido ao pé da letra. A orquestração nos media que se dizem "de referência" não podia, é claro, deixar de faltar.Continue a ler aqui.

Esquerda Comunista disse...

Ok! todos nós sabemos do carácter reaccionário do dalai Lama!

Verdade: todos nós sabemos que uma "independência" do Tibete seria um acontecimento sem nenhum carácter progressivo.

Tudo isso está no meu texto e mais se afirma que a alternativa marxista passa pela união voluntária do povo do tibete, dos trabalhadores e dos camponeses da China contra a restauração capitalista no país que está sendo levada a cabo pelo governo chinês.

Mas ao mesmo tempo que temos consciência disto tudo e alertamos sobre o carácter nefasto do nacionalismo, também não podemos ignorar o carácter burocrático e ditatorial do Estado chinês - que para mais usurpa a bandeira sagrada do comunismo!

Meter a cabeça na areia como a avestruz é, todavia, coisa que não faço!

Pedro Antunes disse...

O que se está a passa na China é o que Orwell descreveu na parte final do “Triunfo dos Porcos”… Os porcos restabelecem a Ordem antiga, com base na censura e na perseguição voltam a explorar os outros animais da quinta… por fim, tomam os hábitos dos humanos e transformam-se em humanos.
Moral da história pior que puros capitalistas são os que se dizem comunistas e que se tornam capitalistas.

Adere ao projecto, juntos venceremos!