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terça-feira, 6 de novembro de 2007

90 anos da Revolução Russa

Ao centro da fotografia, Lénine e Trotsky saúdam um desfile do Exército Vermelho



Segunda parte dum artigo escrito por Ted Grant no Verão de 1990 defendendo os ideais de Outbro na véspera da desagregação da ex-URSS



Primeira parte deste texto pode ser encontrada em






A internacional Comunista reuniu nas suas fileiras os trabalhadores revolucionários de todo o mundo. Mobilizou massas maiores do que mesmo aquelas que o tinham sido no nascimento das religiões mundiais! Ofereceu uma direcção consciente ao movimento inevitável da classe trabalhadora: tomando vantagem dele e preparando o caminho para a Revolução Mundial.

Raízes da burocracia

Essa era a intenção de Lenine e Trotsky quando fundaram a Internacional. A Internacional Comunista foi projectada para derrubar o capitalismo e abrir o caminho para a sociedade socialista. O seu principal trabalho era a educação de novas camadas de quadros que emergiam como resultado da experiência da luta de classe através do mundo e que se propunham a realizar essa tarefa. Esse foi o significado do trabalho realizado nos primeiros 4 Congresso da Internacional Comunista. As suas deliberações, as suas teses e manifestos, muitos dos quais escritos por Trotsky, constituem, ainda hoje, um legado inestimável para o movimento revolucionário.

Todavia, o reformismo salvou o capitalismo na vaga de acontecimentos revolucionários que se seguiu à Iª Guerra Mundial. A revolução alemã foi traída pela social-democracia que rejeitou o “caminho sangrento do bolchevismo” por uma gradual, lenta e pacífica transformação do capitalismo. Quinze anos mais tarde, Hitler chegaria ao poder!

Nesta fase, os líderes das várias secções da Internacional Comunista eram ainda demasiado jovens e teoricamente pouco desenvoltos. Mas podiam aprender e aprendiam de facto, no curso dos grandes acontecimentos que tomavam lugar. A derrota da Revolução Alemã [1918/1919] ensinou aos trabalhadores amargas lições e o Partido Comunista cresceu com base nessa disputa entre revolução e contra-revolução para uma organização de milhões.

Em 1923, após o incumprimento do pagamento das indemnizações de guerra por parte da Alemanha, o imperialismo francês invadiu a região alemã do Ruhr. Isto, combinado com a crise do capitalismo alemão, levou ao colapso monetário do país. A cotação do marco era de 1 bilião para cada libra. Uma crise revolucionária amadureceu na Alemanha. Todavia, as vacilações da liderança do Partido Comunista e os maus conselhos de Estaline e Zinoviev, permitiram que uma grande oportunidade revolucionária se perdesse.

A derrota da revolução alemã em 1923 reforçou a reacção na Rússia na qual se desenvolvia a partir do desapontamento com o isolamento da Revolução e as terríveis condições económicas das massas. A troika de Zinoviev, Kamenev e Estaline ganhou controlo da liderança do então já Partido Comunista da União Soviética e iniciou a sua luta contra o “trotskismo”. Na realidade, tratava-se duma luta contra as ideias básicas de Lenine e da própria revolução.

O desenvolvimento da reacção na Rússia via-se reflectido na “descoberta” da teoria do “socialismo num só país”, que Estaline apresentou em 1924. Nesse ano, em Fevereiro, Estaline publicara um livro chamado Os Fundamentos do Leninismo no qual defendia a concepção marxista de Lenine sobre a impossibilidade de construir o “socialismo num só país”, especialmente num país atrasado como a Rússia. Todavia, seis meses depois, numa nova edição, Estaline publicou a ideia contrária, sustentando que a Rússia tinha suficientes recursos para construir o socialismo! Supostamente, Isto era um consolo para as massas russas, desapontadas com o falhanço da revolução mundial. Na realidade, reflectia os interesses duma nova casta burocrática que procurava agarrar o controlo da União Soviética na premissa do declínio da participação e actividade política das massas.

Trotsky formulou, então, uma brilhante previsão: Estaline era um empírico que, naquela altura, não compreendia o que estava fazendo ou onde a teoria do “socialismo num só país” acabaria – na degenerescência reformista e nacionalista de todos e cada um dos partidos comunistas no mundo. Foi uma previsão extraordinária, amplamente confirmada pelos factos.
A corrente de Trotsky no Partido Comunista da União Soviética liderou uma luta contra o caminho da burocratização entre 1923 e 1927. Adoptaram um extenso programa de industrialização que foi combatido e contrariado por Estaline e Bukharin que queriam construir o socialismo a “passo de caracol”, gradualmente, devagar. Trotsky, no seu brilhante ensaio, A Terceira Internacional depois de Lenine, explicou a impossibilidade de construir o socialismo num só país, sobretudo atrasado como a Rússia, lutando por uma linha internacionalista na política externa e pela restauração da democracia operária na União Soviética com a regeneração dos sovietes e a devolução do poder às massas trabalhadoras.

Trotsky lutou contra o rumo traçado por Estaline e Bukharin (e até certa extensão, Zinoviev) em relação à revolução britânica, na qual antecipou a Greve Geral de 1926. Agitou, ainda, uma campanha contra a política suicida do Comintern [a Internacional Comunista] no apoio que este prestava a Chiang Kai-Shek [líder nacionalista chinês] na revolução chinesa de 1925-27 e da qual resultou no massacre de milhares de comunistas.Todavia, a grande contribuição de Trotsky para o socialismo mundial e o movimento da classe trabalhadora foi a sua análise do fenómeno “estalinista” na URSS. Sem o seu trabalho teórico, o movimento teria cegado. Analisou impiedosamente os zig-zags do “socialismo num só país” que transformou o Comitern de instrumento da revolução mundial no guarda fronteiriço da URSS. Como resposta, Trotsky em 1927 foi expulso do Partido e exilado na Sibéria.






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