TROTSKY: Herói soviético, mártir da Revolução
Última parte do ensaio escrito por Ted Grant em 1990 sobre a figura ímpar de Leon Trotsky a revolução e contra-revolução na União Soviética. Nesa parte fina do ensaio, Ted Grant analisa o impasse do Capitalismo e a crise em que necessariamente irá mergulhar. O tempo de desenvolvimento da crise tem sido mais extenso do que se esperava, fruto do 2balão de oxigénio" que contituiu o colapso da ex-URSS, mas também devido ao crescimento do comérico mundial e do crédito. Agora, começamos a observar como esses mecanismos que adiaram a crise se tornarão num catalizador duma crise muito mais grave.
1ª parte em http://intercomunista.blogspot.com/2007/11/90-anos-da-revoluo-russa.html
2ª parte em http://intercomunista.blogspot.com/2007/11/90-anos-da-revoluo-russa_06.html
3ª parte em http://intercomunista.blogspot.com/2007/11/trotsky-heri-sovitico-e-mrtir-da.html
A crise do Estalinismo como antecâmara da crise capitalista
Todavia, a crise do estalinismo, que foi prevista pelos marxistas, é uma mera antecâmara da crise do capitalismo na Europa Ocidental e por todo o mundo. As próximas décadas serão também turbulentas nos países capitalistas. O Maio de 68 não foi um acidente. Foi o reflexo do inevitável movimento da classe trabalhadora em condições de crise.Citando um recente livro, The Politics of Rich and Poor de Kevin Phillips, um estratega dos Republicanos em 1968, um jornalista do The Guardian [22 de Junho de 1990] comenta:
“Agora que as estatísticas são estudadas, podemos dizer até que ponto os anos de Reagan fizeram girar o pêndulo a favor da plutocracia. Quando Reagan foi eleito, em 1980, o 1% mais rico da América possuía apenas 8% da riqueza nacional. Em 1988 já tinham quase dobrado a fatia para 14,9%. Existem quase 2 milhões de americanos milionários, mais de 150.000 “deca-milionários” (com uma riqueza superior a 10 milhões de dólares) e 51 bilionários. O total da riqueza da lista dos 400 mais ricos, coligida pela revista Forbes praticamente triplicou nos anos 80. Executivos das grandes empresas e corporações que no início da década ganhavam 43 vezes mais do que o trabalhador comum, recebem agora 93 vezes mais.”
Esta é a sombra dos acontecimentos porvir. Exactamente o mesmíssimo processo teve lugar entre 1920 e 1930, preparando a Grande Depressão. Trotsky, na sua introdução a O pensamento vivo de Karl Marx, apontou que:
“De facto, a contradição económica entre o proletariado e a burguesia foi agravada durante o período mais próspero do desenvolvimento capitalista, quando o aumento das condições de vida de uma certa camada de trabalhadores, que em certos momentos até foi relativamente extensa, escondeu a quebra da fatia do rendimento nacional que pertencia ao proletariado no seu conjunto. Assim, antes mesmo da queda em prostração, a produção industrial dos Estados Unidos, por exemplo, aumentou 50% entre 1920 e 1930, enquanto que a soma paga em salários, apenas cresceu 30%, significando uma tremenda desvalorização da parte do rendimento nacional apropriado pelo proletariado.”
A história repete-se a um nível mais elevado. Pelo menos, naquele período, os rendimentos do proletariado aumentaram, mas agora, apenas temos observado uma queda contínua nos últimos 20 anos. Isso significa que as contradições na economia atingiram uma extensão ainda maior do que em 1929-33. Claro que, não pode ser prevista com rigor quando a crise chegará. Pode levar alguns anos, ou pode acontecer já em 1991. Não há forma de saber exactamente, mas o que é certo é que as mesmas causas económicas produzem os mesmos efeitos económicos.
A ironia da história pode muito bem vir a ser o facto da burocracia soviética capitular perante o capitalismo na véspera duma nova crise económica e social. De todo o modo, a crise na Europa Oriental e na URSS é apenas o prenúncio duma futura crise similar no Ocidente. De todo o modo, haverá enormes dificuldades no caminho da contra-revolução na URSS e na Europa Oriental. Uma explosão está a ser preparada na Polónia e esse é o medo dos capitalistas de todo o mundo.
A teoria reaccionária do “socialismo num só país” demonstrou toda a sua futilidade e estupidez. Estaline acreditou ter estabelecido um regime que duraria mil anos. Não teve nenhum vislumbre da crise que afectaria o seu sistema poucas décadas depois… Os líderes da Internacional Comunista também não se aperceberam do que sucederia quando adoptaram esta teoria reaccionária.
Agora, muitos dos ganhos da Revolução de Outubro, incluindo o desenvolvimento da Internacional Comunista pela Europa e pelo mundo, foram destruídos. De serem um instrumento da revolução mundial, os partidos comunistas tornaram-se na reminiscência de organizações nacional reformistas nos diversos países. Cada um é mais reformista do que o outro! Na Grécia fizeram uma coligação com um governo conservador, com as mesmas forças que esmagaram os comunistas gregos na guerra civil de 1944-1947! Na Espanha, o Partido Comunista fragmentou-se em pedaços. Mesmo em países onde conservaram alguma força, como em Itália e na França, deixaram de ser agências da burocracia soviética para se transformarem nos ajudantes menores dos capitalistas. Tal como predisse Trotsky… eles mereceram esse destino.Os seguidores internacionais de Estaline e dos seus sucessores, eram uma ferramenta da política externa da burocracia soviética e mesmo agora têm cegamente apoiado Gorbatchev na direcção que este tem tomado de restauração capitalista.
Momentaneamente, com a ascensão do capitalismo, a ala direita dos reformistas está na crista da onda. Eles são o instrumento degenerado do capitalismo. Abandonaram qualquer pretensão de “socialismo”. Onde se encontram no governo, como na França, Espanha, Suécia, Austrália ou Nova Zelândia, os governos “socialistas” conduzem políticas capitalistas. Na Nova Zelândia e na Austrália efectivamente provocaram a desnacionalização da economia. Na Alemanha abandonaram, há muito, a pretensão dum qualquer programa socialista. São ainda mais degenerados do que os seus antecessores da República de Weimar.
E todavia, é da ordem natural das coisas que eles se comportem dessa maneira, porque eles também estão nas garras da economia mundial, da interpenetração das forças produtivas à escala mundial. Já não é possível operar uma “pura” política nacional. Essa é a explicação para o movimento em direcção à unificação económica – que ainda não lá chegou – da Comunidade Económica Europeia (CEE).
Este relativo desenvolvimento das forças produtivas resultou da superação parcial que os capitalistas conseguiram sobre a crise em que se encontravam – expressa na Depressão de 1929-33 e nas duas Grandes Guerras – através da transcendência dos limites nacionais de cada economia capitalista. Mas o desenvolvimento económico encontra hoje limitações na posse privada dos meios de produção e nos Estados nacionais. Isto será demonstrado ainda mais dramaticamente num futuro próximo.
Com efeito, os capitalistas repousam na exploração dos povos das antigas colónias. Ao longo dos anos oitenta, 50.000 milhões de dólares foram extraídos anualmente aos povos mais pobres do planeta. A repulsiva hipocrisia dos capitalistas exprime-se nas lágrimas de crocodilo vertidas e na pretensa ajuda económica, enquanto usam os mecanismos de comércio para sugar esses países: dão com a mão esquerda uma pequeníssima percentagem do que roubam com a direita.
O trabalho de Trotsky sobre a revolução Permanente, que era apontada aos países atrasados, retém toda a força e vigor no momento presente, apesar da aberração estalinista neste campo ter criado também novas dificuldades na teoria e perspectivas. A revolução chinesa, a revolução cubana e outras, começaram, como Estados Operários deformados e inevitavelmente irão para o mesmo beco sem saída em que se encontra a burocracia soviética no momento presente.
Todavia, esses regimes foram tremendamente progressistas, no sentido em que por todo um período histórico desenvolveram as forças produtivas que não poderiam ter sido desenvolvidas em países atrasados sob o capitalismo. Nos chamados Três Mundos, no mundo capitalista, no mundo estalinista e no mundo colonial, as ideias de Trotsky são um guia inestimável para as novas forças da classe trabalhadora que se desenvolverão.
A história terá de dizer a sua última palavra em relação à Europa Oriental e à URSS. Nesses países, o programa do “socialismo num só país” foi levado a um ridículo extremo. O nível de integração económica nem sequer chegou ao patamar da Comunidade Económica Europeia, quanto mais ao nível dos Estados Unidos da América. Cada país foi empurrado para um beco sem saída, após um período inicial de enorme progresso no desenvolvimento das forças produtivas. Não havia o controlo do "mercado" que, pelo menos, parcialmente existe sob o capitalismo, mas também não havia qualquer tipo de controlo de nenhuma espécie por parte dos trabalhadores, que é uma premissa necessária para preparar o caminho em direcção ao socialismo. O impasse ficou reflectido no completo colapso dos regimes estalinistas, começando pela Polónia e Hungria. No caso da Hungria, os estalinistas iniciaram, eles mesmo, o processo, provavelmente com o encorajamento de Gorbatechv.
Nas primeiras décadas, após a 2ª Guerra Mundial, a burocracia evidenciava uma enorme satisfação e autoconfiança. Nos anos 60, Khrushchev bradou aos países capitalistas"nós iremos enterrá-los"! Técnica, económica e socialmente, em especial com o auxílio da China e da Europa Oriental, isso teria sido perfeitamente possível: se o mesmo grau de desenvolvimento económico que tinham alcançado até então tivesse prosseguido, teriam ultrapassado os EUA por volta da década de oitenta.
Mas a voragem da burocracia, a corrupção e incompetência, acrescidas da impossibilidade de desenvolvimento da economia estatizada sem a directa participação e controlo por parte das massas, excluiu qualquer hipótese nesse sentido. E, todavia, todos os teóricos burgueses e políticos reformistas imaginaram que os regimes estalinistas poderiam manter-se indefinidamente! Agora o granito totalitário que supostamente seria capaz de conter a classe trabalhadora cai por completo! A burocracia encontra-se dividida. Um sector quer regressar atrás, ao beco sem saída do controlo burocrático. Outro sector pretende dirigir-se em direcção ao capitalismo. Com a actual e temporária ascensão do capitalismo, que tem durado algumas décadas, querem voltar-se para o capitalismo ou, para usar o eufemismo que usam, para a "economia de mercado". Haverá uma inevitável reacção!
A característica mais marcante de todos os países da Europa Oriental é o pavor que a burocracia tem da classe trabalhadora. Não existe um coerente e aberto sector dentro da burocracia com a ideia de regressar ao poder soviético tal como existia nos dias de Lénine e Trotsky. Porém, os trabalhadores da Europa oriental ainda têm a última palavra a dizer. Nas futuras batalhas no Leste europeu, na Europa Ocidental e no resto do mundo, haverá tempo, uma e outra vez, para desenvolver o programa da revolução socialista internacional.Os trabalhadores russos atravessaram um processo de desenvolvimento ao longo de três gerações desde a revolução de Outubro. Na altura, os trabalhadores industriais acabaram diluídos por um largo número de camponeses que se transformaram em proletários. Mas num extenso nível, com o massacre dos velhos bolcheviques, com o massacre da consciência "trostkista", a consciência dos trabalhadores russos perdeu-se. Ainda assim, os novos regimes que aí vêm terão ainda de ser testados pelos eventos e pela história. Muito rapidamente, os trabalhadores russos e da Europa Oriental poderão reviver as ideias do marxismo e do seu equivalente moderno: o "trotskismo".
Mesmo no pior dos cenários, se a burocracia fosse bem sucedida em restabelecer o capitalismo, uma nova revolução de Outubro seria inevitável, mas numa escala económica e social maior. De 10 milhões de trabalhadores, passou-se para um número a rondar os 140 até 150 milhões. O regime capitalista que se estabelecesse encontrar-se-ia enredado por novas contradições, particularmente quando a crise do capitalismo se desenvolver a uma escala global.A revolução russa justificou-se historicamente, independentemente das vicissitudes pelas quais a Rússia possa atravessar no próximo período. A obra de Lénine e Trotsky é imortal. Armados com as ideias e os métodos organizativos de Lénine e Trotsky, o proletariado será invencível. A sua revolta é absolutamente inevitável. Os ganhos nas condições de vida na Europa, América e Japão são, neste sentido, amplamente bem-vindas. Reforçaram o proletariado imensuravelmente em comparação com o período pré guerra.
O processo internacional e organizativo da economia de mercado e a integração da economia mundial, que conduziram a uma parcial superação da crise capitalista durante todo um período, irá, por outro lado, exacerbar extraordinariamente a crise numa fase posterior. O desenvolvimento das forças produtivas deu um balão de oxigénio ao capitalismo, mas isto inevitavelmente transformar-se-á no seu oposto. Novas barreira, novas tarifas, serão erguidas. Desde já se delineiam os novos blocos de poder: a Alemanha reunificada e a Comunidade Europeia, Japão e a Ásia, os Estados Unidos e o continente americano. Novas e ainda maiores rivalidades desenvolver-se-ão entre as potências capitalistas.
O desenvolvimento progressivo da interdependência económica colapsará num dado momento. Ievitavelmente, o futuro desenvolvimento das forças produtivas no sentido em que Trotsky descortinava em O pensamento vivo de Karl Marx - a concentração e centralização do capitalismo até a um nível nunca atingido no passado - prepará o caminho para novas e maiores recessões.A análise de Marx, Engel, Lénine e Trotsky sobre o "mercado" era correcta. No facto de que o capitalismo depende do trabalho não pago da classe trabalhadora, repousa o germe da crise que se desenvolverá no futuro. O mesmíssimo processo de acumulação, ou nas palavras de Marx, de "sobre-acumulação", é em si mesmo a garantia da crise futura.Ao evitarem a crise, os capitalistas acumularam novas contradições. A presente prosperidade é muito frágil. Através do crédito e dos gastos militares que produzem capital fictício, com a concentração e centralização do capital através de take-overs parasitárias, a classe dominante está a preparar a crises futuras.
As tarefas porvir
De todos os modos, o desenvolvimento da economia mundial lança as fundações do socialismo internacional através de computadores, micro-electrónica e automatização. Agora, é inteiramente possível, nos principais países capitalistas e na União soviética, introduzir a jornada laboral de 6 horas e de 4 dias de trabalho semanal sem redução de salário. Isto daria o necessário tempo ao proletariado para gerir a economia e o Estado.As bases materiais, políticas e sociais do socialismo foram lançadas. O que tem faltado é a consciência e o entendimento do proletariado e a o necessário partido revolucionário de massas e de vanguarda para liderar o inevitável movimento da classe trabalhadora.
Trostky explicou uma e outra vez que o internacionalismo não resulta de razões sentimentais, mas da integração económica dos diversos países, no que foi a tarefa histórica progressista do capitalismo. Isso foi conduzido a um nível que nem em sonhos poderia ter sido conjecturado por Marx, Engels, Lénine ou Trotsky. A economia mundial é una, no momento presente. Por sua vez, isso preparará o caminho para um enorme movimento internacional da classe trabalhadora.
Agora, nem sequer a União Soviética ou os Estados Unidos poderão permanecer isolados. Fazem parte da economia mundial. Brezhnev relutantemente abandonou a ideia de autarcia económica de Estaline. Gorbachev levou mais adiante essa tendência. Porém, fizeram-no não para preparar a revolução socialista mas, ao contrário, para se imiscuírem entre os poderes capitalistas. O apoio procurado por Gorbachev junto do imperialismo, apelando à ajuda de Kohl, Mitterrand, Bush ou Thatcher, é uma extraordinária confirmação do que foi previsto por Trotsky Em defesa do Marxismo: " a crescente independência da burocracia do proletariado soviético e a sua gradual dependência sobre outras classes e grupos tanto interna como externamente ao país."A União Soviética é uma super-potência com enormes recursos e, todavia, Gorbatech desempenha o papel do pedinte! Ele apenas poderá esperar a ajuda imperialista pois, enfrentando contradições insolúveis, tomou o caminho da contra-revolução e da restauração do mercado, isto é, do capitalismo.
Trotsky, desenvolvendo as ideias de Marx e Lénine, explicou que as actividades dos homens e das mulheres era decisiva. " A compreensão marxista da necessidade histórica - escreveu ele Em defesa do Marxismo – ”não tem nada que ver com o fatalismo. O socialismo não se realiza por si, mas é o resultado da luta de forças vivas, das classes e dos seus partidos". As acções dos marxistas são absolutamente vitais. Sem isso a inevitável revolta do proletariado jamais seria conduzida com sucesso.Kinnock, Mitterrand, Lafontaine, Craxi, Gonzales, Hawke e outros líderes da ala direita da social-democracia pensam em si mesmos como "realistas". Na realidade, não são superiores às condições económicas que existem no momento presente. Eles, em última análise, permanecem como ferramentas do grande capital, nas garras de forças que escapam ao seu controle. E na próxima viragem da roda da história, quando a situação económica mudar, serão esmagados.
Toda a história dos últimos 70 anos demonstrou a correcção das ideias de Trotsky. Uma e outra vez as massas tomarão o caminho da luta. O Maio de 1968 foi o pálido prenúncio dos acontecimentos porvir. Inevitavelmente, as ideias de Trotsky e Lénine - sobre a tomada do poder em mãos da classe trabalhadora - ganharão maior eco entre os activistas da classe operária e dos intelectuais conscientes procurando uma saída para a crise do capitalismo e do estalinismo que se desenvolverá nos próximos anos.
A face "liberal" do capitalismo no Ocidente, tem estado em evidência nas últimas décadas com o "iluminado" controlo pelo grande capital da liberdade de expressão, da imprensa e de organização. A democracia nos países capitalistas - explicou Trotsky - baseava-se na espoliação das colónias, na mesma medida em que a democracia ateniense se baseava na escravatura. A democracia é indubitavelmente o mais conveniente e flexível método de dominação dos capitalistas. Mas inexoravelmente, assim que a revolta das massas tome lugar, os grandes capitalistas mudarão de tácticas, como o fizeram na época entre as duas Grandes Guerras. É totalmente superficial imaginar que a democracia pode ser mantida em bases capitalistas.
Na eventualidade do falhanço duma nova vaga revolucionária, seria inevitável que eles procurassem os métodos reaccionários do passado. Já na Hungria e na Polónia, ideólogos da classe capitalista falam da necessidade duma ditadura - uma ditadura capitalista. Walesa, na Polónia, que iniciou a sua actividade lutando contra o totalitarismo estalinista, defende agora o que seria, na prática, um regime totalitário no país, para que se completassem as necessárias mudanças para estabelecer aí o "mercado". Na realidade, o capitalismo revelará todo o seu impasse no próximo período. Ao mesmo tempo vemos o impasse na União Soviética. Tanto o capitalismo como o estalinismo estão condenados. Uma nova vaga de revoluções é inevitável e irresistível.
A mais proeminente característica de Marx, Engels, Lénine e Trotsky era a sua crença na capacidade e entendimento da classe trabalhadora em levar a cabo a transformação da sociedade. Eles compreendiam que a classe trabalhadora é força progressista que pode vitoriosamente preparar o caminho para o socialismo. Apenas o programa e método de Lénine e Trotsky poderão servir as necessidades e interesses dos trabalhadores. Os jovens revolucionários devem, portanto, estudar as ideias de Marx, Engels, Lénine e especialmente Trotsky – em particular as suas obras do período entre guerras - se querem armar-se para as tarefas que os esperam no futuro.
Trostky ergueu-se "nos ombros" de Lénine, continuando as ideias do marxismo na época da reacção estalinista. Os internacionalistas que se agrupam nos diferentes países não devem temer pela diminuta dimensão das suas forças no momento actual. Os acontecimentos ensinarão as massas. Tivemos uma recente demonstração disso na campanha contra a poll tax. Com o método de Lénine e Trotsky, criar-se-ão forças que resistirão ao teste da história.Neste aniversário de Leon Trostky, podemos dizer ao "velho homem": nós saudamos-te, internacionalmente, a tendência marxista prossegue a tua obra. Devemos uma enorme dívida a esse grande homem, Trotsky. Mártir da contra-revolução estalinista, inspirador e pensador, viverá na memória da classe trabalhadora quando esta alcançar o socialismo.


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